§ Ensaio · E·07

Quanto custa, de verdade, uma hora do seu escritório

Para precificar pela margem, você precisa saber quanto custa uma hora do seu escritório. A maioria dos escritórios não sabe, e quase sempre esse custo é maior do que parece.

6 min de leitura30 de junho de 2026Somus

Quanto custa, de verdade, uma hora do seu escritório

Antes de falar em preço, existe um número que quase todo escritório de arquitetura desconhece: quanto custa, de verdade, uma hora de trabalho do escritório. Sem esse número, qualquer preço é um chute. Você pode até acertar, mas não sabe por quê, e não consegue repetir.

O cálculo mais comum é também o mais errado. Muita gente pega o salário da pessoa, divide pelas horas do mês e acha que chegou no custo da hora. Esse número é sempre menor do que o real, e isso dá uma falsa sensação de folga.

O custo de uma hora não é só o salário. Sobre o salário existem os encargos. Além da equipe, existe o aluguel, a conta de luz, a internet, os softwares, os computadores, o contador, e o tempo do sócio que coordena tudo isso. Todos esses custos precisam ser pagos pelo trabalho que o escritório entrega. Então todos eles entram, de alguma forma, no custo de cada hora.

Tem ainda um detalhe que muda tudo: horas trabalhadas não são horas faturáveis. Uma pessoa que trabalha 8 horas por dia não vende 8 horas de projeto. Parte do dia vai para reunião interna, para responder e-mail, para fazer proposta, para refazer um trabalho que não ficou bom, para resolver um problema de obra. Na prática, boa parte do tempo da equipe não é cobrada de ninguém. Quando você divide o custo total apenas pelas horas que realmente são faturáveis, o custo de cada hora sobe bastante.

O cálculo simples é esse. Some o custo total do escritório no mês, equipe e estrutura. Estime quantas horas, no mês, são de fato faturáveis, ou seja, ligadas a um projeto que um cliente paga. Divida o custo total por essas horas faturáveis. O resultado é quanto custa, no mínimo, uma hora do seu escritório antes de qualquer lucro.

Esse número é útil de três formas. Primeiro, ele é a base para precificar pela margem, porque agora você sabe a partir de quanto um projeto começa a dar lucro. Segundo, ele ajuda a decidir quais projetos aceitar, porque você consegue comparar o preço que o cliente aceita pagar com o custo real de entregar. Terceiro, ele mostra quando a equipe está cara demais para o que entrega, o que costuma ser um problema de ocupação, e não de talento.

Saber o custo da hora não deixa o trabalho mais frio nem transforma arquitetura em planilha. Ele só tira a decisão de preço do escuro. A partir daí, você para de torcer para o projeto fechar com lucro e passa a saber, antes de enviar a proposta, se ele fecha.

Da análise à implementação

Ler é o começo. Implementar é o que muda a empresa.

Agendar diagnóstico
Fale com um Especialista